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title: "Fundos multimercado: controles de risco e derivativos"
description: "Fundos multimercado: controles para derivativos e alavancagem sob a CVM 175, risco de capital, margens, exposição por fator, VaR, estresse e liquidez."
url: "https://fundsys.com.br/blog/fundos-multimercado-controles-risco-derivativos"
site: "Fundsys, plataforma de controle, inteligência e automação para a operação de fundos"
category: "CVM 175 & Regulatório"
tags: "multimercado, derivativos, risco de capital, CVM 175"
authors: "Bruno Haas e Pablo Brenner"
published: "2026-08-29"
language: "pt-BR"
reading_minutes: 7
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**CVM 175 & Regulatório (Satélite)**

# Fundos multimercado: controles de risco e derivativos

O multimercado é a classe em que a Resolução CVM 175 mais cobra da gestão de risco: derivativos, alavancagem e posições em vários fatores ao mesmo tempo, com responsabilidade limitada dos cotistas e limite de margem no Anexo I. O controle não é impedir o risco, e sim medi-lo todos os dias por classe, contra limites escritos, e provar que foi medido. Este satélite organiza os controles específicos de multimercados: risco de capital e margens, exposição por fator, VaR e estresse, liquidez sob chamada de margem e o tratamento de desenquadramentos.

Por Bruno Haas e Pablo Brenner · 29 de agosto de 2026 · 7 min de leitura

**Neste guia**

1. [O que a norma pede da classe multimercado](https://fundsys.com.br/blog/fundos-multimercado-controles-risco-derivativos#o-que-a-norma-pede)
2. [Os controles específicos](https://fundsys.com.br/blog/fundos-multimercado-controles-risco-derivativos#controles)
3. [Derivativos: o que muda no controle](https://fundsys.com.br/blog/fundos-multimercado-controles-risco-derivativos#derivativos)
4. [Desenquadramentos em multimercados](https://fundsys.com.br/blog/fundos-multimercado-controles-risco-derivativos#desenquadramento)
5. [Erros comuns](https://fundsys.com.br/blog/fundos-multimercado-controles-risco-derivativos#erros)
6. [Checklist de controles em multimercados](https://fundsys.com.br/blog/fundos-multimercado-controles-risco-derivativos#checklist)
7. [Perguntas frequentes sobre controles em multimercados](https://fundsys.com.br/blog/fundos-multimercado-controles-risco-derivativos#faq)

## O que a norma pede da classe multimercado

O Anexo Normativo I da [Resolução CVM 175](https://fundsys.com.br/blog/resolucao-cvm-175-guia-completo) trata a exposição a risco de capital como a situação em que a classe realiza operações em valor superior ao seu patrimônio, e prevê limites máximos de margem por tipo de classe, com o multimercado na faixa mais alta. Com a responsabilidade limitada do cotista, a norma passou a se preocupar com o patrimônio negativo: se a classe perde mais do que tem, o caminho é o regime de insolvência, e não a chamada de capital. Daí o par de exigências: limite de margem apurado diariamente e política de risco da Res. CVM 21/21 com métricas, limites e relatórios compatíveis com uma carteira alavancada.

> Um multimercado alavancado é um carro com turbo: a norma não proíbe o turbo, exige velocímetro, freio e a prova de que o motorista olhou os dois.

## Os controles específicos

| Controle                   | O que apurar                                                                                                                                                                            | Frequência         |
| -------------------------- | --------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- | ------------------ |
| Risco de capital e margens | Margens exigidas nas operações com garantia mais margem potencial dos derivativos sem garantia, consolidando fundos investidos no exterior, contra o limite do regulamento e do Anexo I | Diária e pré-ordem |
| Exposição por fator        | Exposição líquida e bruta em juros por vértice, câmbio, bolsa, crédito e commodities, contra os tetos da política e do regulamento                                                      | Diária e pré-ordem |
| Alavancagem                | Exposição bruta nocional sobre o PL; exposição por fator sobre o PL                                                                                                                     | Diária             |
| VaR e estresse             | VaR por classe com método declarado; cenários combinados; reprecificação de opções; backtesting mensal                                                                                  | Diária; mensal     |
| Liquidez sob margem        | Caixa e ativos de conversão imediata contra chamada de margem estressada mais resgates estressados                                                                                      | Diária             |
| Contrapartes de balcão     | Exposição por contraparte e garantias recebidas; limites do regulamento                                                                                                                 | Diária             |
| Investimento no exterior   | Percentual do PL, câmbio e margens de veículos no exterior, conforme as condições do Anexo I                                                                                            | Diária             |

## Derivativos: o que muda no controle

- **Nocional não é exposição.** Um futuro de DI de nocional alto pode ter DV01 pequeno; o controle olha a sensibilidade por fator, não o valor de face. O mapeamento está em [Fatores Primitivos de Risco](https://fundsys.com.br/blog/fatores-primitivos-de-risco-fpr).
- **Opções exigem reprecificação.** Delta vezes choque subestima a perda; VaR e estresse reprecificam as opções sob os cenários.
- **Margem é liquidez.** A chamada de margem em dia de choque é a maior saída de caixa da classe e precisa estar na projeção de caixa com cenário de estresse.
- **Hedge tem base.** Posições que se anulam no nocional podem não se anular no risco (vencimentos e ativos-objeto diferentes); o controle mede a exposição líquida por fator e vértice.
- **Balcão tem contraparte.** Swaps e opções flexíveis carregam risco de crédito da contraparte e exigem limite e garantias.

## Desenquadramentos em multimercados

Em carteiras alavancadas, o desenquadramento costuma ser de margem ou de exposição por fator, e costuma ser ativo: nasce de uma ordem. O pré-ordem é o controle que o evita, e o tratamento segue os prazos e comunicações da CVM 175 descritos em [desenquadramento passivo x ativo](https://fundsys.com.br/blog/desenquadramento-passivo-ativo-prazos). O dossiê precisa mostrar a margem e a exposição no momento da ordem, não só no fechamento.

> Margem, exposição por fator, VaR e estresse da classe multimercado, antes da ordem e depois do fechamento.
>
> [Conhecer o Fundsys](https://fundsys.com.br/#demo)

## Erros comuns

1. **Controlar nocional.** Limite de "derivativos até X% do PL" sem sensibilidade por fator.
2. **Margem só depositada.** A margem potencial dos derivativos sem garantia e a dos fundos investidos ficam de fora.
3. **Opções por delta.** O estresse subestima a perda justamente no cenário que importa.
4. **Liquidez sem chamada de margem.** A cobertura parece confortável até o dia de choque.
5. **Pré-ordem desligado para a mesa de derivativos.** Todo excesso vira desenquadramento ativo.

## Checklist de controles em multimercados

### Risco de capital, fatores e liquidez

#### Regras

- Limite de margem do regulamento e do Anexo I cadastrado por classe; consolidação de fundos investidos definida.
- Tetos de exposição por fator e vértice na política, com faixas de alerta.
- Limites de contraparte de balcão e de investimento no exterior cadastrados.

#### Apuração e evidência

- Risco de capital, exposição por fator, VaR, estresse e liquidez sob margem apurados diariamente por classe.
- Pré-ordem ligado para todas as ordens, inclusive derivativos.
- Opções reprecificadas nos cálculos de risco; backtesting mensal.
- Dossiês de desenquadramento com margem e exposição no momento da ordem.

## Perguntas frequentes sobre controles em multimercados

### O que é exposição a risco de capital em um multimercado?

É a situação em que a classe realiza operações em valor superior ao seu patrimônio, típica de carteiras com derivativos e alavancagem, tratada pelo Anexo Normativo I da Resolução CVM 175. A norma prevê limites máximos de margem por tipo de classe, e o gestor consolida as margens exigidas, inclusive de fundos investidos no exterior, contra o limite do regulamento.

### Como controlar derivativos em fundos multimercado?

Pela sensibilidade a cada fator de risco e não pelo nocional: DV01 por vértice, delta e beta, exposição cambial, vega e gama, com reprecificação completa das opções no VaR e no estresse; pelo limite de margem apurado diariamente e no pré-ordem; pela liquidez sob chamada de margem estressada; e pelos limites de contraparte nas operações de balcão.

### Por que a chamada de margem entra no controle de liquidez?

Porque em dia de choque a chamada de margem é a maior saída de caixa da classe, e acontece ao mesmo tempo em que os resgates sobem e os preços caem. A cobertura de liquidez precisa comparar caixa e ativos de conversão imediata com a margem estressada mais os resgates estressados, no mesmo cenário.

### Como a responsabilidade limitada afeta o controle dos multimercados?

Com a responsabilidade do cotista limitada ao valor das cotas, o patrimônio negativo da classe leva ao regime de insolvência, não à chamada de capital. Por isso a Resolução CVM 175 exige controle rigoroso da exposição a risco de capital e limite de margem, e a política de risco precisa impedir que a classe perca mais do que tem.

### Desenquadramento em multimercado é passivo ou ativo?

Em carteiras alavancadas, o desenquadramento costuma ser de margem ou de exposição por fator e costuma nascer de uma ordem, o que o caracteriza como ativo, com comunicação do administrador à CVM nos prazos do Anexo I. O pré-ordem é o controle que o evita, e o dossiê precisa mostrar a margem e a exposição no momento da ordem.

> Turbo com velocímetro: o risco do multimercado medido todo dia, com prova.
>
> Traga as carteiras e a política de risco dos seus multimercados. Em uma demonstração, mostramos margem consolidada, exposição por fator, VaR com opções reprecificadas, estresse e liquidez sob margem de uma classe real, com o pré-ordem e a trilha auditável.
>
> [Conhecer o Fundsys](https://fundsys.com.br/#demo)

## Leia também

- Risco: [Fatores Primitivos de Risco (FPR): o que são e como calcular](https://fundsys.com.br/blog/fatores-primitivos-de-risco-fpr)
- Risco: [Stress test em fundos: como construir cenários de estresse](https://fundsys.com.br/blog/stress-test-fundos-cenarios-de-estresse)
- Risco: [Value at Risk (VaR): o guia definitivo para gestoras](https://fundsys.com.br/blog/value-at-risk-var-guia-completo)
- Enquadramento: [Desenquadramento passivo x ativo: prazos e plano de ação para a CVM](https://fundsys.com.br/blog/desenquadramento-passivo-ativo-prazos)
- Risco: [Risco de liquidez em fundos: como medir e mitigar](https://fundsys.com.br/blog/risco-de-liquidez-fundos-como-medir-mitigar)
- Risco: [O que a CVM 175 exige em gestão de risco (e o que a CVM 21 acrescenta)](https://fundsys.com.br/blog/gestao-riscos-cvm-175)

_Este conteúdo tem finalidade informativa e não substitui a leitura das normas citadas nem a assessoria jurídica da sua instituição. Prazos, números de artigos e entendimentos das áreas técnicas foram verificados em agosto de 2026 e são revisados trimestralmente; alterações posteriores podem não estar refletidas._
