O que a norma exige do sistema, mesmo sem citar sistema
Nenhuma norma da CVM obriga a gestora a ter um software. Todas exigem o que só um software entrega com consistência. A Res. CVM 21/21 exige política de gestão de risco com métricas, limites, relatórios em frequência no mínimo mensal para as pessoas indicadas na política e supervisão de terceiros contratados para mensurar riscos. A Resolução CVM 175 exige que limites, liquidez, exposição a risco de capital e informações sejam apurados por classe e subclasse, e que cada prestador essencial responda pela sua parte. Os códigos da ANBIMA exigem supervisão dos limites com no máximo um dia útil de defasagem, regras de liquidez e de cibersegurança. A Res. CVM 50/21 exige monitoramento de PLD baseado em risco.
| Exigência | Base | Capacidade do sistema |
|---|---|---|
| Métricas de risco e limites por carteira, com relatório periódico | Res. CVM 21 | VaR, estresse, exposição e limites calculados por classe, com relatório gravado por data |
| Enquadramento por classe e subclasse; risco de capital e margem | CVM 175, Anexo I | Modelo de dados nativo em fundo, classe e subclasse; regras por regulamento versionado |
| Desenquadramento passivo x ativo com prazos de comunicação | CVM 175, art. 90 e Anexo I | Classificação com evidência, contagem de dias úteis, fluxo de comunicação e dossiê |
| Gestão de liquidez pelo gestor | CVM 175 e ANBIMA | Liquidez do ativo com haircut x passivo por prazo de resgate e concentração de cotistas |
| Supervisão de limites em até um dia útil | Código ANBIMA | Apuração diária automatizada com integração de posições do administrador |
| Guarda de registros por cinco anos | Res. CVM 21 | Histórico diário imutável, reprocessável e exportável |
| Segurança da informação | Regras ANBIMA de cibersegurança | Controle de acesso, logs, backups e segregação de ambientes |
Um sistema de risco é o tacógrafo da gestora: o que importa não é o painel bonito, é que o registro de cada dia exista, seja legível anos depois e não possa ser reescrito.
Planilha, desenvolvimento próprio ou SaaS
As três opções funcionam em algum estágio. O que muda é o custo de manter cada uma correta quando a norma muda, quando a gestora cresce e quando a pessoa que construiu sai.
| Critério | Planilha | Desenvolvimento próprio | SaaS especializado |
|---|---|---|---|
| Custo inicial | Baixo | Alto e incerto | Médio, previsível |
| Tempo até operar | Dias | Meses | Semanas |
| Trilha auditável | Frágil: o passado é sobrescrito | Depende do desenho | Nativa, se o produto foi feito para isso |
| Atualização regulatória | Manual, por quem lembrar | Backlog interno disputando prioridade | Responsabilidade do fornecedor, prevista em contrato |
| Risco de pessoa-chave | Alto | Alto | Baixo |
| Multiclasse e look-through | Inviável em escala | Possível, com custo | Esperado |
| Quando faz sentido | Um ou dois fundos simples, até o primeiro ofício | Estratégia proprietária que o mercado não cobre | Qualquer gestora que precise provar conformidade diariamente |
Os 12 critérios de avaliação
Modelo de dados
1. Classe e subclasse nativas. O sistema precisa tratar fundo, classe e subclasse como entidades distintas, com limites, cota e liquidez por classe e taxas por subclasse. Um sistema "555" adaptado com um campo extra quebra na primeira estrutura multiclasse.
2. Regulamento como fonte, versionado. Os limites vêm do anexo da classe e mudam com o regulamento; cada apuração precisa apontar para a versão vigente na data. Sem versionamento, a evidência de um dia passado é inválida.
3. Look-through. Consolidação de cotas de fundos investidos, no Brasil e no exterior, para limites por emissor, por modalidade e para margem, como a CVM esclareceu que cabe ao gestor.
Motor de regras
4. Regras regulatórias prontas e mantidas. Limites do Anexo I, do Anexo II e dos demais anexos, atualizados pelo fornecedor quando a norma muda, com registro da mudança.
5. Regras do regulamento sem código. A área de risco configura o sublimite de crédito privado, o teto de margem e a restrição de emissor sem abrir chamado de desenvolvimento.
6. Pré-ordem e pós-fechamento. A ordem é testada contra os limites antes da execução e a carteira é apurada depois do fechamento; os dois resultados ficam gravados.
7. Fluxo de desenquadramento. Classificação passivo x ativo com evidência da causa, contagem de dias úteis contra os marcos da 175, plano, comunicações e encerramento no mesmo dossiê. O processo está em desenquadramento passivo x ativo: prazos e plano de ação.
Risco e liquidez
8. Métricas com metodologia declarada. VaR com método, horizonte e intervalo de confiança explícitos, cenários de estresse configuráveis, exposição a risco de capital e margem consolidadas, com backtesting. O que esperar do cálculo está em Value at Risk: o guia definitivo para gestoras.
9. Liquidez de ativo e passivo. Prazo de conversão dos ativos com haircut contra o perfil de resgate e a concentração de cotistas, por classe, conforme as regras da ANBIMA.
Evidência e integração
10. Trilha auditável diária. Cada apuração gravada com data, insumos, versão de regra e responsável; reprocessável; exportável para a CVM, a ANBIMA e o auditor. Este é o critério que elimina mais fornecedores na prova de conceito.
11. Integrações reais. Posições e cotas dos administradores, custódia, registradoras (para FIDC), fontes de preço, OMS e a base da ANBIMA, com conciliação automática e tratamento de exceções.
12. Operação e segurança. Implantação com migração de histórico, SLA de disponibilidade e suporte, controle de acesso por perfil, logs, backups e cláusula contratual de saída com exportação completa dos dados.
Dez perguntas para fazer na demonstração
Demonstrações mostram o caminho feliz. Estas perguntas mostram o resto.
- Mostre a apuração de limites de uma classe em uma data específica de três meses atrás, com a versão do regulamento que valia naquele dia.
- Como o sistema trata um fundo com duas classes de políticas diferentes e três subclasses com taxas distintas?
- O que acontece quando um limite do Anexo I muda por resolução? Quem atualiza, em quanto tempo, e como fica o histórico?
- Simule uma ordem que rompe o limite: o que o gestor vê antes de executar?
- Abra o dossiê de um desenquadramento passivo que durou 12 dias úteis: causa, contagem, comunicações e encerramento.
- Como o VaR foi calculado ontem? Método, janela, horizonte, intervalo, fonte de preços e resultado do backtesting.
- Mostre a liquidez de uma classe com concentração de cotistas acima de 20% em um único investidor.
- Quais administradores, custodiantes e registradoras já estão integrados, e como é tratada uma posição que não bate?
- Se encerrarmos o contrato, o que exportamos, em que formato, em quanto tempo?
- Peça o log de acessos e alterações de uma regra do regulamento nos últimos 30 dias.
Módulos Controles · Regulatório · Risco e Performance · Estruturados e Crédito
Como o Fundsys responde a esses critérios
O Fundsys foi desenhado sobre a estrutura da CVM 175: fundo, classe e subclasse são entidades nativas, o regulamento é a fonte versionada dos limites e cada apuração diária fica gravada com data, insumos e responsável. Os quatro módulos cobrem enquadramento e desenquadramento, agenda regulatória, risco e liquidez, e os controles específicos de FIDC e crédito, com trilha auditável e apuração diária datada. Traga as dez perguntas acima para a demonstração.
Ver aplicado aos seus fundos Demonstração com os regulamentos e as carteiras da sua gestora, não com dados de exemplo.Como conduzir a seleção em seis semanas
| Semana | Etapa | Entrega |
|---|---|---|
| 1 | Requisitos | Lista de fundos, classes e subclasses; regulamentos; métricas da política de risco; integrações necessárias; critérios com peso |
| 2 | Shortlist | Três fornecedores que respondem aos critérios eliminatórios (multiclasse, trilha auditável, integrações) |
| 3 e 4 | Demonstrações com dados próprios | As dez perguntas respondidas com os regulamentos e as carteiras da gestora; notas por critério |
| 5 | Prova de conceito | Uma classe real apurada por dez dias úteis em paralelo ao controle atual; divergências explicadas |
| 6 | Decisão e contrato | SLA, responsabilidade por atualização regulatória, cláusula de saída de dados, plano de implantação com migração de histórico |
Sinais de alerta
- "Configuramos isso para você depois." Regras do regulamento que dependem do fornecedor para cada mudança viram gargalo.
- Histórico recalculado com preços de hoje. Se o sistema não guarda a apuração original, não há trilha.
- Integração por planilha enviada por e-mail. Conciliação manual de posições não escala e não gera evidência.
- Métricas sem metodologia documentada. Um VaR que ninguém sabe explicar não sobrevive a um ofício.
- Contrato sem cláusula de saída. Dados presos no fornecedor são um risco regulatório, não só comercial.
Checklist de RFP
Requisitos para o fornecedor responder por escrito
Modelo e regras
- Fundo, classe e subclasse como entidades nativas, com limites por classe e taxas por subclasse.
- Regulamento versionado como fonte dos limites; apuração vinculada à versão vigente na data.
- Regras dos Anexos da CVM 175 mantidas pelo fornecedor, com registro de mudanças.
- Regras do regulamento configuráveis pela área de risco, sem desenvolvimento.
- Look-through de fundos investidos, no Brasil e no exterior.
Controles
- Verificação pré-ordem e apuração pós-fechamento, ambas gravadas.
- Fluxo de desenquadramento com classificação, contagem de dias úteis, comunicações e dossiê.
- VaR, estresse, risco de capital e margem com metodologia declarada e backtesting.
- Liquidez de ativo e passivo por classe, conforme as regras da ANBIMA.
- Cota sombra por subclasse conciliada com o administrador.
Evidência, integração e operação
- Trilha auditável diária, imutável, reprocessável e exportável.
- Integrações com administradores, custodiantes, registradoras, fontes de preço, OMS e ANBIMA.
- Controle de acesso por perfil, logs, backups e ambiente segregado.
- SLA de disponibilidade e suporte; prazo e método de implantação com migração de histórico.
- Cláusula de saída com exportação completa dos dados em formato aberto.
Perguntas frequentes sobre software de risco e compliance
O que um software de gestão de risco para fundos precisa ter?
Modelo de dados com fundo, classe e subclasse, regulamento versionado como fonte dos limites, motor de regras com os limites da CVM 175 e do regulamento, verificação pré-ordem e apuração diária, fluxo de desenquadramento, métricas de risco e liquidez com metodologia declarada, integrações com administradores e fontes de preço, e uma trilha auditável diária que grave cada apuração com data e insumos.
A CVM exige que a gestora tenha um sistema de risco e compliance?
Não exige um software específico, mas a Resolução CVM 21 exige política de gestão de risco com métricas, limites e relatórios periódicos, e a Resolução CVM 175 exige que limites, liquidez e risco de capital sejam apurados por classe, com cada prestador respondendo pela sua parte. A Resolução CVM 21 também exige guarda de registros por cinco anos. Na prática, isso só se cumpre com consistência por meio de um sistema.
Planilha serve como sistema de controle de risco?
Serve no início, para um ou dois fundos simples, e deixa de servir no primeiro ofício da CVM ou na primeira estrutura multiclasse. A limitação principal não é o cálculo, e sim a evidência: a planilha sobrescreve o passado, depende de quem a construiu e não mantém a versão do regulamento vigente em cada data.
Qual é a diferença entre o sistema do administrador e o da gestora?
O administrador fiduciário usa seus sistemas para calcular a cota oficial, controlar o passivo e enviar informes à CVM, e supervisiona os limites das carteiras. A gestora precisa de controle próprio porque, na Resolução CVM 175, responde pelas decisões de investimento, pelo enquadramento, pela liquidez e pela gestão de risco, e a evidência dessa diligência tem de existir na gestora, não só no administrador.
Quanto tempo leva para implantar um software de risco e compliance?
Em SaaS especializado, algumas semanas, dominadas pela integração de posições com o administrador, pela configuração dos regulamentos de cada classe e pela migração do histórico. Desenvolvimento próprio costuma levar meses. Uma prova de conceito de dez dias úteis com uma classe real, apurada em paralelo ao controle atual, é a forma mais segura de estimar o prazo.
Como avaliar se o sistema tem trilha auditável de verdade?
Pedindo a apuração de uma classe em uma data passada, com a versão do regulamento e os insumos que valiam naquele dia, e comparando com o que o sistema mostra ao recalcular com os dados de hoje. Se o resultado original não existe ou foi sobrescrito, não há trilha. Também vale pedir o log de alterações de uma regra e a exportação completa do histórico.
Fundsys · Controles · Regulatório · Risco e Performance · Estruturados e Crédito
Traga as dez perguntas. Respondemos com os seus fundos na tela.
Em uma demonstração, aplicamos os limites dos seus regulamentos, a sua política de risco e a sua agenda de obrigações às suas classes e subclasses, e mostramos a trilha auditável de cada apuração diária. Se preferir, começamos por uma prova de conceito com uma classe real.
Agendar demonstração Sem compromisso. Com os seus dados, não com um exemplo genérico.Este conteúdo tem finalidade informativa e não substitui a leitura das normas citadas nem a assessoria jurídica da sua instituição. Prazos, números de artigos e entendimentos das áreas técnicas foram verificados em agosto de 2026 e são revisados trimestralmente; alterações posteriores podem não estar refletidas.